
Estivemos sumidos esses dias, mas é que passamos por um turbilhão essa semana, com muitos acontecimentos. Volta D. Eva para São Paulo; chega a Lisa para reocupar o posto noturno; Sandra, a diarista, sabemos agora que está grávida... Enfim, muitas coisas para resolver. Precisamos achar uma babá para o Francisco e também transformar a copa da cozinha num quartinho para quem vier. Enquanto isso, Francisco mama e chora, dormindo bem à noite, graças à técnica do Dr. Harvey aperfeiçoada pelo papai, que enrola ele todinho, mas fazendo manha durante o dia, querendo só saber de colo.
Ontem foi um dia movimentado.
Tomei coragem e fui dar uma volta com ele no Jardim Botânico. Fomos convidados por uma nova amiga, companheira da hidroginástica, que teve bebê na mesma época. A operação foi uma mão de obra danada, diga-se. Sandra desce com o Francisco e eu com o carrinho degraus abaixo (fiquei com pena de pedir para ela carregar peso, por conta da gravidez). Depois, coloca o carrinho na mala do carro. Engastalha lá dentro, dá uma vontade danada de chorar. Começo a suar no calor mormacento. Puxo o carrinho e nada. Fico um tempão tentando fechar. Chagando lá, mais um tempo pra tirar o carrinho, abrir o carrinho e então seguir. Nessa altura, já estou pensando na volta. Tira Francisco, carrinho, sobre primeiro com um, desce, pega o outro, desengasta da mala, musculação pra subir as escadas. Bem, pelo menos, penso, saímos de casa, vimos a bebezada, respiramos um arzinho puro, comemos pão de queijo e suco de laranja, e, o melhor, pude trocar experiências com outras mães de primeira viagem. Vi também que entre elas sou a mais nervosa, sem dúvida.
À tarde, malas prontas para o pediatra, aonde temos ido regularmente, por conta de um suposto refluxo. Francisco continua chorando muito para mamar. Piorou na semana passada, depois de termos suspendido o remédio. Dr. Carlos pediu que fôssemos lá para pesá-lo, pois ele tem mamado muito pouco. A notícia boa é que, apesar da dificuldade nas mamadas, ele está gordinho. 4kg e 54cm! Mas vamos ter de ter paciência para superar essa fase do refluxo, que o deixa agitado e o faz chorar muito. Segundo Dr. Carlos, os bebês que apresentam refluxo acabam ficando mais irritadiços por estarem mais sensíveis à dor. Quando o leite bate no estômago, volta para o esôfago misturado com acidez, e isso deve incomodá-lo muito mesmo. Na próxima quarta, ele fará uma ultrassonografia para ver como anda o sistema digestivo e se o diagnóstico clínico está correto.
Nesse meio tempo, já enlouqueci. Minha cabeça virou uma farinha de rosca. Na tentativa de mamadas mais tranqüilas, já usei todas as mamadeiras e bicos possíveis. Com todo esse estresse, a quantidade de leite materno que produzo foi diminuindo. Cheguei a pensar que ele não mamava por eu não ter leite suficiente ou mesmo por eu ter cedido à maldita mamadeira (o que hoje sei que esse mito é uma bobagem – bebê nenhum prefere mamadeira ao peito, a não ser que você não tenha leite). Na dúvida, fui para a mamadeira, o que consequentemente, diminuiu minha produção. Tirar o leite com a bomba não é o mesmo estímulo que a sucção do bebê. Quanto mais o bebê suga, mais leite a mãe produz. É uma cadeia produtiva mesmo. O que penso é que não sei mais o que veio primeiro, o ovo ou a galinha. Se eu tivesse mantido a calma e persistido mesmo com o choro incessante (dele e meu), hoje eu estaria amamentando do jeito que sonhei? Me sinto culpada na maior parte do tempo, mas tento pensar que fiz o que foi possível para mim. Outro dia, na sala de espera do laboratório, vi uma mãe amamentando um bebezinho da mesma idade do Francisco. O bebê era tão calminho, mamava placidamente, igual àquelas cenas que idealizamos. Não posso negar que fiquei um pouquinho triste por eu não estar vivenciando isso, falei até pra minha mãe o tipo de pensamento que eu tinha tido, uma pontinha de inveja mesmo da moça, apesar de ali no meu colo estar o bebê mais lindo e fofo do mundo, como eu nunca poderia ter imaginado igual.
E quando ele chora, chora, e nada que eu faça consegue acalmá-lo? (Isso acontece com frequencia). Troco de braço, de posição, deito ele na cama, balanço, faço muito carinho, canto todo meu repertório, converso, começo bem calminha, juro. Mas aí, chega outra pessoa, pega no colo, e ele fica quietinho, que nem mágica. Fico pra morrer do coração. Aí a gente pensa: será que ele não gosta de mim? O que estou fazendo de errado? Eu sou desajeitada, eu sei, mas será que o colinho está tão ruim assim? É inevitável...
Por essas e outras, começo hoje uma terapia. Estou precisando.
Alheio às paranoias delirantes de sua mãe, Francisco segue a sua rotina. E já está famoso na rua, sim senhor. Quando a vizinhança vê a gente descendo, já diz: “Olha ele aí, esse é o dono do chorinho!” Francisco nem liga. Ele chora sem culpa. Mas para amenizar os efeitos do refluxo, vamos seguir algumas regrinhas. Mamar agora será de duas em duas horas, em vez dos intervalos maiores de três em três. Nunca trocar a fralda depois de uma mamada. Deixar sempre a fraldinha mais larga na barriga. Mamar sentadinho. E assim vamos seguindo. Me prometeram que depois dos três meses melhora, é o que mais escuto. Estou também esperando as águas de março. Um calorão aqui no Rio de Janeiro!