

Sábado Francisco faz um mês de vida. Tão pouquinho e já parece que tanta coisa aconteceu!
Não é fácil, minha gente! Para mim, pelo menos.
Desde que chegamos da maternidade, uma infinidade de choros (meus e dele), alegrias, inseguranças, sem falar na nova rotina da casa, pessoas novas em nossa vida, geladeira cheia (foi aí que vi que preciso comprar uma maior), um calorão do diabo pra nos receber, ar-condicionado pingando água justamente no dia em que íamos inaugurá-lo, apagão (corre pra comprar vela...), a diarista que durou só dez dias, e vai que procura outra, corre a Marli pra socorrer! Tem a Antonia, que tem vindo me ajudar nos fins de semana e que cuida da casa, agora vem a Sandra, de segunda a sexta, mas ela mora em Japeri, longe pra dedéu, e eu fico pensando como deve ser difícil pra ela pegar aquele trem lotado todo dia pra vir pra minha casa trabalhar, e ainda me ver chorando (ela só ri e diz que vai passar, diz também que queria ter o terceiro filho). Lisa, a enfermeira que ficaria comigo de noite nesse primeiro mês, teve que ficar fora dez dias, justamente quando Manuel ia voltar ao trabalho. Mas aí veio a dona Eva de São Paulo pra passar esses dias aqui comigo, enfermeira 24 horas, um luxo só! Tenho que relaxar e aproveitar. Afinal, vai durar pouco. Hoje consegui ir ao banco e fazer as unhas (botei um vermelhão pra levantar a canseira), passei também no supermercado antes de voltar correndo pra casa. O mundo continua lá fora! Um sol delicioso na rua. E eu pensando que agora eu ando na rua e sou a mãe do Francisco. Ei, eu sou a mãe do Francisco, um bebê lindo e saudável, um tanto bravo, é verdade. Ainda estamos nos acostumando um com o outro. Quando acho que consigo entendê-lo, já mudou tudo.
Logo nos seus primeiros dias, quando o leite desceu pra valer, tive a tal da apojadura, uma coisa que ninguém fala pras mães. É quando o leite desce e o peito fica todo duro. Francisco não conseguia mamar. E eu rodava que nem barata tonta em casa. Como se usa essa bomba de leite? Cadê a mamadeira? Ele vai morrer de fome! Liga pro pediatra (nessa eu não conseguia nem falar... Manuel era o interlocutor oficial). Tive que chamar uma enfermeira especialista da Perinatal para vir em casa me ajudar a resolver o problema. Muita massagem e paciência pra bombear o leite. Isso ninguém me disse que podia acontecer. Mas acontece com quase todas as mães e ninguém avisa.
Depois do primeiro sufoco com a amamentação, me lembro das coisas transcorrerem razoavelmente bem, até ele fazer 15 dias, quando, segundo minha irmã, os bebês acordam para a vida. Aí começam as temidas cólicas, os gases e o refluxo.
Estava eu indo muito bem, começando a curtir a amamentação, me sentindo poderosa, até que Francisco começou a reclamar muito enquanto mamava. Reloginho à vista, 3 minutos, 4 minutos, 7 minutos e pimba, lá vem o berreiro. Ele gritava muito. Anoto eu no caderno todas as mamadas, com a precisão dos segundos. Dia passa, outro dia, e isso se torna rotina. Começo a achar que ele não gosta de mim, do leite, o que que é, meu Deus? Não sou mais poderosa, sou um desastre, penso. Se ele mamar, volto a acreditar em Deus, faço promessa pra Jesus, raspo o cabelo, chamei Antonia pro batizado dele em São Paulo, disse que ela ia como convidada especial e que ia ficar na casa da Inês e do Luciano, meus sogros. Mas assim foi: cada mamada um estresse. Choro eu, ele. Liga pro pediatra, pra irmã, liga o pai, a mãe, todos preocupados comigo. Bebê é assim mesmo... Eu sei, eu sei, mas ele não mama mais como antes. Quem não chora não mama! Mas ele mama e chora! Tem algo errado. Liga pro pediatra. Uma, duas, três. Que droga de pediatra que não liga de volta. Minha irmã manda eu trocar de pediatra, jogar o telefone dele fora. E eu, como soldado fiel, faço o que ela manda. No dia seguinte, vou ao novo pediatra, um senhor maravilhoso que me escuta bastante, como médico de antigamente. Médico que liga no dia seguinte pra saber do meu filho! Não se faz mais médico assim. O telefone toca diversas vezes lá em casa, todos querem saber o diagnóstico. Parece que é um refluxo, mas ele não quer dar remédio agora, diz que tem que esperar até segunda. De qualquer forma, estou mais aliviada. Até que Francisco mama e chora, mama e chora. Lisa chega e eu choro também. Ligo pro pediatra e ele acaba me passando o remédio para o tal refluxo. Agora vai ficar bom! Dois, três dias e nada. Parece que o remédio demora a fazer efeito... Até que não aguento e ligo pro Dr. Carlos novamente. Segunda-feira vai demorar muito, vou enlouquecer até lá. Ele diz pra eu levar o pequenino no consultório dele novamente no dia seguinte. Examina, examina. Francisco está cheio de gases. Pode ser a barriguinha. E quanto tempo demora pra ficar bom? Vai passar dos três meses? A vida vai voltar ao normal? Suspende o remédio de refluxo. Não, não é refluxo. Mas, doutor, gases impedem o bebê de mamar? Às vezes, sim. Minha mãe diz que tem que ter paciência. Recém-nascido é assim mesmo. Eu mesma chorava pra danar, não dei sossego um minuto. Saímos do consultório e eu acho mesmo que vai passar, que ele vai voltar a mamar aqueles longos trinta minutos em cada peito. Passe de mágica! São os gases, é isso. Simples assim. Será que tenho que cortar o queijo minas, o feijão? Abacaxi não pode... Pelo menos, nunca estive tão magra!
Sábado Francisco completa um mês de vida. Hoje estou aqui escrevendo, e ele continua chorando pra mamar. Falei de manhã pra minha irmã que vai ver é assim mesmo. É, é isso Ju, diz ela. É, vou aceitar, digo eu. Raça e paciência! Mas cada chorinho um aperto no coração. Então, no lusco-fusco da tarde, resolvi escrever um pouquinho, pra dar notícias pelo menos bem-humoradas da nossa aventura. E assim a tarde corre. Acho que ele vai dormir bem hoje. Afinal, ficou bem acordadinho durante o dia. Vai ver era a barriguinha... Mas já pensei também que o problema é a posição da amamentação. Por isso ele não tem mamado bem. Ó, quanta dúvida! A cabecinha da gente não para. É, Francisco, você ganhou uma mãe dramática!
Sábado Francisco faz um mês. Devemos levá-lo para uma voltinha no Jardim Botânico.
Enquanto isso, ele manda um beijo pra vovó Inês e vovô Luciano, que tiveram aqui no Rio nesse primeiro mês de vida.
Mari, quando puder, venha nos ver novamente. Estou bem melhor agora.
Ah, Francisco não gostou do banho de balde. Prefere cada vez mais a banheira dele.